Quer um guia para falta de sucesso online? Faça como este site.

Recebi o link para este site pela web designer da empresa onde trabalho. O site contém um “guia de como ter sucesso online” (em inglês), mas o site é um grande exemplo do que NÃO fazer ao se criar um site. Começando pelo fato do site ser todo feito em flash.

Fazer site todo em flash, com navegação “diferentinha” é bem coisa de web designer (não os bons, vocês estão perdoados). Criar um site assim é o mesmo que pegar todo o avanço que tivemos na usabilidade na web até agora, e jogar fora.

Vamos analisar. O site dá as dicas numa animação em flash no formato de um livrinho, onde o usuário clica no canto para virar a página e continuar lendo. Agora vamos analisar o show de problemas de interface e usabilidade.

  • A fonte é pequena demais. Uma pessoa com visão boa tem que espremer os olhos para ler. Quem quiser ver maior tem que clicar na lupa e usar um péssimo sistema de zoom que implementaram no livrinho. Se não fosse em flash, a pessoa teria total liberdade de aumentar o texto como quiser.
  • Clica clica clica. Cada página tem pouca informação, e são MUITAS páginas. A pessoa tem que ficar clicando, e clicando, e clicando para poder ler tudo. Não chega nem perto da facilidade de rolar com o mouse.
  • Não dá pra escanear a página com os olhos. As pessoas não lêem na web como lêem um livro. Elas vão escaneando o site rápido com os olhos em busca da parte mais interessante do conteúdo. E não dá pra fazer isso neste site. Você não pode ir rolando até ver um conteúdo que te interesse, porque você não pode rolar! Não pode escanear rápido o site com os olhos.
  • Você não pode usar a busca do seu navegador para encontrar alguma coisa. Na verdade, você não pode buscar nada! Se você está na página 70 (de 337) tem que clicar 69 vezes até voltar ao índice e procurar o que você quer.
  • Não dá pra usar os botões de Voltar e Avançar do navegador, e nem seus respectivos atalhos de teclado. Você fica preso à navegação que a pessoa implementou no flash, e só. Se a navegação feita no flash for ruim, não tem como fugir. O clica-clica-clica é péssimo.
  • Sites de busca não podem indexar o conteúdo. O google até tá inventando jeitos de indexar flash, mas tá mais na tentativa ainda. Sites em flash não podem ser indexados corretamente. Não dá pros robôs entenderem o que o site diz.
  • Um flash gigante. Em sistemas operacionais que não tem um suporte tão bom do flash (linux e mac, olá?) essa página vai ficar muuuito pesada. E lenta. Vai irritar o usuário e ele vai fechar. E isso significa uma média de 10% dos visitantes que você vai ter mandado embora sem ler seu conteúdo.
  • Só funciona com quem tem flash! A quantidade de acessos através de celulares inteligentes tem aumentado num ritmo alucinante (principalmente graças ao iphone). E uma boa parte desses acessos vindos de celular não podem ver flash. Isso significa que aquele site vai aparecer vazio pra essas pessoas. Uau, legal. Mostra mesmo que o criador NÃO tem visão e não está preparado pro futuro.

Eu poderia ainda citar muitas outras coisas. Não permite que o usuário selecione e copie conteúdo com o mouse, não permite que alguém aponte um capítulo específico pra alguém, etc etc etc. É apenas um grande exemplo de como se criar uma péssima interface.

Eu achava que os sites feitos todos em flash tinham ficado em 1995, mas parece que continuam surgindo uns aqui e ali. Eu me pergunto como um site desses pode ousar dar dicas para a web. Mas também não é nenhuma surpresa que não tenha nenhum site em flash entre os mais famosos e conhecidos.

Vocês conhecem mais algum desses péssimos exemplos de sites feitos por designers ruins?

Recentemente Jakob Nielsen escreveu um artigo sobre os maiores erros no design de aplicações. O texto original dele se referia a aplicações standalone (os programas que você roda no seu computador), mas seus erros podem muito bem ser transportados para o mundo das aplicações na web. Baseado na sua lista, compilei os 7 maiores erros no design de aplicações web.

1 – Interface fora do padrão

Os elementos padrão de interface – links, botões e radio buttons – são as unidades lexicais que formam o vocabulário do design. Mudar a aparência ou comportamento destes elementos é como introduzir num texto palavras numa língua estranha. Alguém pode até entender, mas det vil gøre læserne forvirrede (ou, em português, “fazer isso vai confundir seus usuários”).

Mesmo que você seja capaz de mudar a interface padrão e torná-la ainda melhor que a original, muitos usuários se sentirão confusos com ela, justamente por ser diferente das interfaces que já viram até agora, e diferente do que esperam.

2 – Inconsistência

A confusão acontece quando uma aplicação usa diferentes palavras para se referir à mesma coisa, ou quando usa uma palavra para se referir a várias coisas diferentes. Quando você se refere a algo com um nome numa página e com outro nome em outra página do mesmo site, seu usuário fica confuso.

Usar a mesma palavra para a mesma coisa no mesmo lugar torna as coisas mais fáceis.

Lembre-se: diferente = difícil.


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Tem coisas na vida que vemos em tantos lugares que acabamos aceitando aquilo como se fosse algo normal, ou até o certo. Apenas recentemente abri o olho pra algo muito comum em muitos formulários de registro de usuários, mas que já não sei se é mesmo necessário: o campo de confirmação de e-mail.

Em boa parte dos formulários é comum encontrarmos dois campos de confirmação: um para confirmar o e-mail, e outro para confirmar a senha. Para que serve esta confirmação? Fazemos o usuário inserir duas vezes a mesma informação, para garantir que o campo foi preenchido com a informação correta.

A confirmação de senha é mesmo algo necessário. Por segurança, a senha não é exibida no campo enquanto o usuário preenche, e não há qualquer garantia de que ele não pressionou uma tecla incorretamente. Fazendo ele inserir a senha duas vezes, temos a garantia de que estaremos recebendo a senha correta.

Mas o problema é o campo de e-mail. Enquanto preenche, o usuário pode ver claramente o que está digitando, e qualquer erro de digitação pode ser detectado na mesma hora. Mais ainda, e-mails geralmente são grandes. Eu que digito rápido já acho cansativo ter que digitar meu e-mail duas vezes, imagina para um usuário comum que ainda não é um amigo de longa data de um teclado de computador.

Acontece que estamos tão acostumados a ver a confirmação de e-mail que começos a tomá-la por algo normal e que deve ser feito sempre, e acabamos colocando esse campo também ao criarmos novos sites. Mas parem pra pensar. Será que é mesmo necessário? Será que seu usuário é incapaz de olhar para o campo que ele está preenchendo e detectar um erro? Ou podemos deixar esta confirmação de fora, tendo assim formulários mais práticos?

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A internet, essa grande ferramenta feita pra facilitar nossas vidas, nem sempre é tão fácil ou prática quanto poderia. Um bom exemplo são os sites que exibem formulários enormes para que o visitante se registre, tornando-se um usuário. E eu me pergunto se isso tudo é mesmo necessário.

PapeladaDe todas as páginas do seu site, uma das mais importantes é o formulário de registro. É neste momento que você e o usuário partilharão um momento único, é quando ele estará mostrando que confia no site e gostaria de ter acesso ao conteúdo ou serviço oferecido. Seu visitante está iniciando um relacionamento com você, e este momento deveria ser o menos traumático possível.

É estressante para este visitante ter que preencher 10 ou 15 campos antes mesmo deste relacionamento ter começado. Mais estressante ainda se ele acreditar que alguns dos dados pedidos não são necessários. Será que seu site precisa mesmo saber a cidade e o estado em que o usuário mora? Será que precisa saber a data que ele nasceu? E será que esta é mesmo a melhor hora pra pedir a ele para descrever a si mesmo?

O melhor, para ambos os lados, é que você faça com que o momento acabe logo. Seu usuário provavelmente já tem registros em 10, 20 ou 30 sites diferentes e está cansado de preencher formulários de registros. Ele só quer acabar com aquilo o mais rápido possível, e quanto mais rápido for o processo, menor são as chances dele acabar desistindo no meio.

E uma vez que ele tenha se registrado, o relacionamento estará firmado e o usuário conseguirá o que deseja: ter acesso ao conteúdo do site.

Como um fórum, por exemplo. Deixe o usuário se registrar apenas com seu nome, e-mail e senha. Se ele gostar do que você oferece, se quiser aproveitar melhor o site, ele vai fornecer outros dados pessoais por vontade própria, seja preenchendo dados de um perfil, ou dando seu número do cartão de crédito.

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